Vereadores destacam importância da erva-mate e ligação histórica e econômica com São Mateus do Sul.
(Fotos: Reprodução de vídeo da transmissão feita pela Câmara de Vereadores via Facebook)

Fernanda Sardanha leu parte de um ofício de contestação frente ao projeto de Lei, que teria sido elaborado pelo deputado estadual Hussein Bakri e que concederia o título de ‘Capital Estadual do Mate’ ao município de União da Vitória. Segundo a vereadora, a Câmara poderia encaminhar uma ‘Moção de Apoio’ na demanda em favor dos produtores e cadeia ervateira são-mateuense.

“Eu acho que temos que ser bairristas, temos que defender nossa cidade. Não é apenas uma defesa sem argumento. É uma defesa com argumento e com dados estatísticos que demonstram quem é São Mateus do Sul em termos de produção e industrialização da erva-mate”, disse a vereadora. Ao passo que citou estes números que indicam o potencial produtivo e industrial são-mateuense.

87% da produção total brasileira de erva-mate está no Paraná (2018) e concentrado na região Sul do estado. Deste percentual, segundo texto da Agência de Notícias do Paraná lido pela parlamentar, 17,8% é de São Mateus do Sul que tem o maior volume nacional, 70 mil toneladas, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou no referido levamento.

Em outro trecho, se referindo a estes mesmos dados, Fernanda disse que São Mateus do Sul tem a cultura da erva-mate como viés econômico, inclusive com a concessão da Identificação de Geográfica (IG) para o município. Disso a contestação de aprovar o título de Capital Estadual do Mate para União da Vitória. A vereadora destacou que tem o referido respeito pela cidade polo, mas contesta a situação.

Fernanda Sardanha contesta proposição de conceder título de Capital do Mate para União da Vitória.

Sardanha disse que o projeto de Hussein Bakri tenta se justificar pelo fato de União da Vitória ser o núcleo da região, composto por outros oito municípios. Segundo ela, apenas uma cidade levaria o título em detrimento aos demais. Neste sentido, ela solicitou apoio dos demais vereadores para assinar, junto de representantes do setor, esta contestação para que a referida proposição não siga em diante.

Requerimento de apoio

A vereadora apresentou o requerimento para formular a Moção de Apoio. Omar Picheth afirmou que a situação, talvez, seja inconstitucional, por já ter São Mateus do Sul o título de ‘Terra da Erva-mate’. Marta Centa sugeriu que o deputado estadual Emerson Bacil também colabore com a proposição. Segundo ela, precisa ser feita justiça ao dito popular que sempre coloca São Mateus do Sul como a ‘Capital da Erva-mate’.

“E agora nós vamos deixar, simplesmente, passar esse título para outro município? Não, a gente tem de bater o pé mesmo e dizer ao senhor Hussein Bakri que São Mateus deve ser a Capital do Mate”, defendeu Marta Centa. Neste contexto ela citou a concessão da IG e a história ensinada nas escolas e para todos desde crianças. Considerando, para tanto, que esta questão é histórica para o município.

“É não dá para entender uma atitude do deputado estadual Hussein Bakri puxar para União da Vitória, como Capital da Erva-mate”, afirmou o presidente, Nereu Dal Lago. Ele foi na mesma linha dizendo que não justifica a proposição, no comparativo de produção entre União da Vitória e São Mateus do Sul. Deixando de lado, inclusive a questão de Cruz Machado, grande produtor de erva em folhas.

Afirmando concordar com o requerimento, Nereu disse não entender a iniciativa e disso necessidade de ‘movimento rápido’. Fernanda Sardanha ressaltou que há um apreço por União da Vitória, mas que a representatividade da erva-mate, expressivo na indústria, a Rua do Mate, a IG-Mathe e outras questões de interesse coletivo são-mateuense e econômico são mais expressivos. “Essa é a nossa defesa”, disse.

Marta Centa destacou que se propõe em fazer um abaixo-assinado no município todo e encaminhar para a Assembleia Legislativa, se for o caso. Julio Balkowski frisou que a cuia é representada na caixa de água, como referência do setor. Além da compra de grande parte da produção, por parte dos gaúchos, pela qualidade. Segundo ele, o título tem de vir ‘por merecimento’ e pela história produtiva.

Defesa da IG-Mathe

O presidente da Associação dos Amigos da Erva-Mate de São Mateus (IG-Mathe), Fernando Toppel, observou o que a entidade entende que seria necessário para um município receber o título deste porte. Para tanto, segundo ele, carece de números expressivos de produção, industrialização do produto final e grande número empresas ligadas ao setor no seu âmbito municipal.

“No último levantamento apresentado pelo Deral [Departamento de Economia Rural] União da Vitória não possuí esta notoriedade, não possuí estes números expressivos. Qualquer pessoa pode pesquisar isso, hoje em dia na internet”, explicou. Além disso, no Paraná tem outros municípios representativos neste contexto, como Inácio Martins e Cruz Machado, que poderiam ser indicados.

Jackson Machado afirmou que projeto foi protocolado, mas retirado e será reapresentado por Hussein.

Fernando Toppel reafirmou que a IG-Mathe apoia toda e qualquer causa ligada à erva-mate, tanto dentro do território da Associação quanto fora, mas com critérios. “Quando acontece este tipo de coisa a gente não pode também se omitir. Não pode concordar e achar que é correto”, justificou. “Para um título deste ser concedido é preciso ser comprovado. E no caso, não é o que a realidade reflete”.

“E nós acreditamos que ações isoladas, assim desta forma, não agregam nada para o setor. Na verdade, trazem desconforto, geram este conflito e causam tudo isso que causou nesta última semana”, completou o presidente da entidade. Reafirmando que a IG-Mathe se posiciona como parceiro do setor e do território, mas sobretudo de ações que venham a somar com a promoção de todos.

Projeto retirado

Jackson Machado disse que conversou pessoalmente com Hussein Bakri, que protocolou o projeto, mas citou que já foi retirado. Dentro de alguns dias, conforme o vereador será reapresentando com novidades. “Vai entrar um novo projeto com o nome de São Mateus do Sul”, afirmou. Ele disse que portava estava informação depois de contato com o deputado, após toda a discussão gerada na Câmara.

Por meio da assessoria, a reportagem confirmou que o projeto realmente havia sido protocolado, mas foi retirado. O deputado estaria preparando uma ‘grande surpresa para São Mateus do Sul’, reafirmando que a proposição não foi pautada, conforme teria dito Fernanda Sardanha, apenas protocolada. Reformulada, a nova proposta abrange a Associação dos Municípios do Sul do Paraná (Amsulpar) e dará ‘destaque especial’ para São Mateus do Sul.

Sidnei Muran

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