(Imagem Ilustrativa)

Próximo de 400 d.C., um monge grego chamado Evágrio do Ponto, entre paredes úmidas e frias de um mosteiro, enumerou uma lista com os chamados Crimes da Humanidade. Mais tarde chamaram esses crimes de tentações, vícios da humanidade e mais recentemente de Pecados Capitais. A lista de Evágrio e, depois a de São Tomaz de Aquino incluíam de forma separada um vício: a vaidade.

Os vaidosos seriam aqueles que atribuem à própria aparência, ou quaisquer outras qualidades físicas ou intelectuais, uma valorização acentuada, desejando que tais qualidades sejam reconhecidas ou admiradas pelos outros. Buscam admiração.

Quem não gosta de ser reconhecido por uma habilidade, competência ou por um trabalho bem-feito. O problema é quando, para alimentarmos a vaidade, precisamos nos aproveitar de alguma situação que possa prejudicar outras pessoas ou parte da sociedade.

Talvez este vício humano esteja exacerbado nos dias atuais. Quando olho para a nossa sociedade, para nossas organizações, acredito que estamos nos dividindo cada vez mais, influenciados pela vaidade, que traz consigo o egoísmo.

Olhemos para o nosso cenário político atual. Será que nossos representantes, em todos os poderes estão pensando no bem-estar da população, no crescimento de nosso país? Ou será que representam apenas o interesse pessoal e de valorização de suas carreiras e manutenção do poder que acham que têm? Com isso, as discussões importantes travam e as perseguições de lado a lado ganham espaço. Um pecado Capital não vem sozinho. Por exemplo, o poder nas mãos de um vaidoso quase sempre vem acompanhado da luxúria, da soberba e da gula. Gera a inveja de outro vaidoso e caímos num ciclo vicioso. Destruir parece mais importante que construir.

A única forma de combater esses crimes da humanidade é incentivando a prática de virtudes como a humildade para a vaidade e a soberba, a caridade para a avareza, o respeito para a luxúria, a bondade para a inveja, a temperança para a gula, a paciência para a ira, a diligência para a preguiça.

Tal incentivo se dá através da educação, em casa e na escola e, no exercício da fé, por se acreditar que há valores maiores e mais importantes que o simples egoísmo humano.

Não precisamos nos autoflagelar para nos penitenciarmos de nossos pecados, como faziam alguns monges, mas é sempre bom refletirmos e reconhecermos quando erramos e buscar o caminho correto.

Evágrio do Ponto encerrava sua lista de Crimes da Humanidade com a frase: “O egoísmo exalta as deficiências do ser”. É difícil e deve ser incansável a luta contra a nossa natureza humana!

Adnelson Borges de Campos
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