(Imagem Ilustrativa)

Antes de começar a escrever esta Coluna, assisti, remotamente, ao lançamento do VII Concurso Internacional de Contos e Poesias “Catarata Maravilha Natural”, um evento organizado pelo argentino Eduardo Alfredo Galeano. No ano passado, fui o vencedor do Concurso na categoria Contos, com o texto “Jaguaretê”, minha forma de homenagear toda a beleza do lugar.

Na transmissão de lançamento, feito a partir do Hotel Grand Meliá Iguazú, no Parque Nacional do Iguazú, podia se ver ao fundo, mesmo com a seca, parte da explosão das águas das Cataratas. Por um instante me desliguei da transmissão e me vi voltando ao tempo.

Tive a oportunidade de visitar o Parque por duas vezes, uma vez em 1997 e outra em 2016. Para efeito da comparação que usarei como argumento, também comentarei sobre uma viagem que fiz ao Canadá, em 2002, quando visitei a cidade de Niagara Falls, onde se localizam as Cataratas do rio Niagara (trovoada de água em iroquês), na divisa com os Estados Unidos.

Sei que já faz algum tempo e muitas coisas mudaram, nos dois locais, com melhorias na infraestrutura, mas preciso falar das diferenças dos pontos turísticos de lá e daqui.

A área onde ficam as quedas do Iguaçu, do lado brasileiro, desde 1999 vem sendo administrada por uma empresa privada, sob fiscalização do ICMBio, órgão federal responsável pelo Parque Nacional do Iguaçu, então, muitas melhorias foram feitas na área onde é possível a visitação.

Em 1997, quando fiz minha primeira visita, tudo era muito precário. Mesmo nessa época, as Cataratas e Foz do Iguaçu eram um dos principais pontos turísticos do Brasil. Então, quando visitei Niagara Falls, numa viagem a trabalho em que percorri o Canadá numa faixa de Leste a Oeste, começando em Alberta e terminando em Ontário, fiquei chocado com as diferenças.

Além da beleza das cataratas do rio Niágara, de águas com um azul límpido e intenso, a cidade, de Niagara Falls era algo de fantástico, com ruas muito bem cuidadas, lavadas e escovadas por caminhões da limpeza pública, asfalto impecável, grama muito bem aparada em espaços públicos e uma arquitetura moderna, ímpar. Tudo contribuía para um bom comportamento dos turistas que mantinham tudo limpo, organizado e calmo, tornando o lugar propício à contemplação da natureza e manutenção da paz de espírito.

Não era só a área do parque que era bem cuidada. Todo o entorno, a estrutura para os turistas também eram. As cidades vizinhas, nos arredores dos Grandes Lagos, mantinham o padrão.

As quedas de Niagara Falls são muito bonitas, mas não se comparam em beleza com as quedas do Iguaçu. A natureza também é mais pujante, na região do marco das três fronteiras.

Eu pensava: por que em nosso país não podemos ter algo similar? Por que não investimos em infraestrutura? Já ao final de 2019, antes da pandemia, mais de dois milhões de pessoas visitaram o parque das cataratas no lado brasileiro. São mais de 5.500 pessoas por dia. Em Niagara Falls são mais de 28 milhões de visitantes por ano. Por que será?

Aqui, se atravessarmos a fronteira, e visitarmos Puerto Iguazú, na Argentina, veremos que não é muito diferente, em termos de estrutura, se comparado com o lado brasileiro.

Recentemente tivemos notícias da ampliação do aeroporto de Foz do Iguaçu, das obras de duplicação da Avenida das Cataratas, mas acredito que toda a cidade e região devam melhorar como um todo. Porém, isto não é possível só com os recursos da municipalidade. O Estado e a Federação precisam enxergar cidades como Foz do Iguaçu de outra maneira, na aplicação de recursos, na formação de infraestrutura. Sendo as Cataratas, por exemplo, uma das Sete Maravilhas da Natureza e o Parque um Patrimônio da Humanidade, estes cartões postais do nosso país precisam ser bem mantidos. Precisamos de floresta onde é preciso floresta e de “concreto” onde é preciso e possível o concreto. Só assim conseguiremos que as pessoas sejam ambientalmente corretas, tenham qualidade de vida e que nosso país tenha mais e melhor visibilidade. Todos podem crescer de forma sustentável.

Em São Mateus do Sul, se pensarmos em nos tornar um polo turístico, desde já temos que começar a trabalhar o levantamento de recursos e investimentos necessários junto aos nossos representantes nas esferas municipal, estadual e federal e organizar as iniciativas privadas neste sentido. Precisamos de um Plano Diretor adequado, também. As construções e sua arquitetura são fundamentais para a atração de visitantes. Temos motivos, inspirações vindas da cultura de nossas etnias que nos permitem ser um modelo em toda a região. Quem sabe nos incluam, no futuro, nas mais belas rotas e paisagens turísticas do mundo, como Gramado já o é.

Adnelson Borges de Campos
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