Mesmo com redução das vendas, empresários se esforçam para manter empregos. (Thaís Siqueira/Gazeta Informativa)

A matemática lógica aponta que quanto menos vender, menor tanto a necessidade de mão-de-obra quanto o recurso para pagar funcionários. A realidade econômica, com o novo Coronavírus (Covid-19) presente no Brasil e se espalhando por estados e municípios, inicia um período de estagnação e dificuldades. Isolamento social, na prática, ainda não demonstra ser efetivo no avanço do Covid-19.

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São Mateus do Sul informou que fará uma pesquisa com os associados, nos próximos dias, com a intenção de avaliar com mais precisão a situação do setor. A Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de São Mateus do Sul (ACIASMS) quantifica informalmente que empresários suspenderam atividades e muitos trabalhadores ficaram sem empregos.

O presidente da CDL, Felipe Staniszewski, disse que não tem uma avaliação precisa, mas supõe que as vendas do período que antecede à Páscoa estão menores. “Nosso foco maior no momento está em criar a viabilidade da manutenção do comércio aberto, uma vez que há muito incerteza sobre isto”, explica. Uma pesquisa, que deve ser feita nos próximos dias, vai detalhar a real situação dos associados.

O presidente da ACIASMS, Luciano Castilho, disse que há uma queda visível tanto no volume de negócios quando na movimentação comercial. “O faturamento vem caindo de 70 até 90% em algumas empresas”, quantifica. Isso com base em avaliações prévias e observações preliminares, ainda sem um diagnóstico mais preciso sobre os setores agrícola, empresarial, produtivo, comercial e de serviços.

“Mesmo pelo delivery [entrega em casa]o pessoal está comprando pouco”, observa Luciano Castilho. Em seu entendimento, pode ser em decorrência do receio de gastar as economias que o cidadão possui ou, então, a real dificuldade de não ter recursos para fazer compras de produtos ou serviços. Este diagnóstico transcende todos os setores das atividades econômicas.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) quantifica que mais de 40% da população é formada por microempreendedores individuais, autônomos e informais. Justamente o público mais prejudicado no momento e que tem o auxílio emergencial disponibilizado pelo governo federal. Estes números mostram o percentual de pessoas com dificuldades financeiras mais evidentes.

Outra preocupação é sobre a manutenção de empregos. Muitas empresas deram férias coletivas ou graduais aos seus funcionários. Neste contexto, os trabalhadores ficam na incerteza se retornam às atividades normalmente ou, após este período, o contratante dispensa o empregado. São indefinições que imperam no momento, em parte, devido ao bloqueio e fechamento comercial estabelecido recentemente.

Na semana passada, em apontamentos informais e levantamentos prévios, cerca de 500 pessoas teriam perdido seus postos de trabalho. De acordo com o presidente da ACIASMS, muitas empresas, pela insegurança ou mesmo pela situação estabelecida de emergência no Brasil, fecharam as portas. “Vai trazer falta de renda para a população e um problema social gigante”, analisa Luciano Castilho.

Linhas de crédito, financiamento e demais medidas foram adotadas pelos governos federal e estadual. Mas muitas vezes o receio paira sobre os empresários que se preocupam com o fato de investir, sem saber ao certo até quando dura a crise. A pregação negativa e catastrófica, puxada por grande parte da mídia nacional, é vista como um dos fatores que influenciam este estado de medo e insegurança.

A expectativa é de que o isolamento social, proposto por governos em todas as esferas públicas e respeitado pela maioria da sociedade, tenha resultado efetivo no chamado ‘achatamento da curva de avanço’ do Covid-19. O sacrifício econômico tem sido um dos pontos chaves nesta quarentena estabelecida, visando que isso se concretize. Mas, ainda, o nível de avanço do contágio não está justificando o contexto.

Mesmo diante deste cenário incerto, o contador José Márcio Zelinski, da Vivum Contabilidade, explica que há um esforço dos empresários em preservar os empregos. Mesmo que, para isso, se antecipe férias ou se cogite redução salarial. “A maioria não está pensando demitir, poucos casos de demissão. Eu sinto que a maioria quer segurar os empregos do pessoal”, cita se reportando às empresas que ele tem conhecimento.

O contador salienta que os empresários estão conscientes e sabem que se ocorrer demissões acaba prejudicando a cidade como um todo. Apesar da incerteza, as soluções estão mantendo os empregos. O receio é se acontecer novo isolamento social. “Só fica o medo de ter uma segunda etapa e de ter de parar novamente”, observa Zelinski.

Especialistas indicam que o aporte de recursos do auxílio emergencial e a venda de produtos da agricultura, ainda sem terem sido comercializados, devem injetar recursos na economia local. Liberações de créditos antecipados pelo Governo Federal, caso do FGTS, tendem em melhorar as vendas dos setores de comércio e serviços. Isso pela maior circulação de dinheiro e necessidades eminentes.

Sidnei Muran

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