Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Ver e Julgar os ‘Sinais dos Tempos’

Continuando nossa reflexão da edição do dia 08 de setembro, entramos agora no método da Evangelização muito destacada na América Latina: Ver, Julgar e Agir.

Em um primeiro momento é necessário Ver a realidade, abrir os olhos para ela. Citando o Papa Paulo VI, Francisco fala de se ‘ter a capacidade sempre vigilante de estudar os sinais dos tempos’.

Antes de se partir para a Evangelização, o papa Francisco alerta o evangelizador para algumas questões essenciais a serem observadas. Entre elas, a falta do compromisso comunitário quando critica a economia de exclusão, e a idolatria do dinheiro. Elementos estes que geram a desigualdade social, que ainda se vive no mundo, e a violência, muito presente nos lugares menos desenvolvidos e favorecidos.

Tais elementos que caracterizam a Secularização, são fatores que relegam também a fé a um âmbito intimista, voltada para o eu, sem uma preocupação ou um compromisso comunitário. Daí se pensar também na evangelização para as pessoas que até na vida urbana não vivem espaços de comunidade, mas que, isolados em apartamentos e condomínios vivem um nova realidade que exige uma presença da Igreja com um novo método.

Na atualidade, a agilidade nos processos de comunicação, a cobrança de metas de produtividade, tudo isso leva as pessoas a um ritmo desenfreado de atividades que conduz ao cansaço, ao desânimo e até à falta de sentido, de motivo no que faz. Esse excesso de atividades gera superficialidade até mesmo no evangelizador, naquele que deveria levar um conforto, uma palavra de vida plena, mas que por vezes também está esgotado das atividades. Como diz o papa: “O problema não está no excesso de atividades, mas, sobretudo, nas atividades mal vividas, sem as motivações adequada, sem uma espiritualidade que impregne a ação e a torne desejável” (EG § 82).

Após Ver a realidade, vem o momento de Julgar. Esta é a atitude do evangelizador e do missionário se debruçar sobre os fatos da realidade aos olhos da fé, da Palavra de Deus, para que, à Luz do Evangelho possa encontrar caminhos e métodos iluminadores de evangelização.

Neste trabalho de Julgar, o papa deixa claro a importância da confiança na Graça de Deus, pois o processo de Evangelização não depende somente do evangelizador. O projeto é de Deus, é Ele quem sempre toma a iniciativa. “O princípio da primazia da graça deve ser um farol que ilumine constantemente as nossas reflexões sobre a evangelização.” (§ 112), cita ele na Evangelii Gaudium. A evangelização não depende apenas dos esquemas e de agentes capacitados diz o papa, mas ela é dinâmica, na medida em que os que são evangelizados também possuem a ação do Espírito.

Por isso, cada batizado e crismado deve tomar-se da consciência de seu compromisso como missionário. Aquele que se faz sentir a presença de Jesus em sua vida, experimenta o amor de Jesus, que sente a diferença da presença Dele em sua vida não pode não comunicar esta alegria a outros. Os primeiros discípulos, a Samaritana, do próprio Apóstolo Paulo, anunciaram a Alegria do Evangelho, a Alegria que Jesus lhes transmitiu. Quem descobre a Jesus, no sentido pleno da experiência, sabe que a vida não é mais a mesma sem Ele. Este, motivado, vai ao encontro de outros para poder fazer com que também estes sintam a mesma sensação.

Para o evangelizador, a leitura dos novos tempos, com base nos novos modismos, comportamentos da sociedade deve também ser iluminada pela Palavra de Deus, que é sempre atual. A evangelização requer familiaridade com a Palavra de Deus. No capítulo III da Evangelii Gaudium, quando Francisco escreve do aprofundamento do querigma, diz no § 174 que, a Palavra de Deus deve ser ferramenta indispensável para qualquer atividade da Igreja, pois ela é fonte iluminadora. Sendo assim, Ver a realidade e Julgá-la à luz da fé, é ter condições de agir com mais eficiência na ação pastoral. Importante salientar que, esta ação não abandona também a ação do Espírito, que age na realidade e nas pessoas, onde, como e quando quer.

No próximo artigo veremos sobre o Agir do missionário.

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