(Foto: Reprodução da transmissão da Câmara)

Dois projetos foram votados na 26ª sessão ordinária da Câmara de São Mateus do Sul. O de nº 20/2020 abriu crédito suplementar de R$ 84 mil para a Saúde e o 019/2020 reserva vagas, em concursos públicos de São Mateus do Sul, para candidatos afrodescendentes. Ambas as proposições passaram por 1ª votação sem discussão por conta dos vereadores são-mateuenses.
Os debates ficaram à cerca de requerimentos e indicações, nenhum da situação que somente se limitou na defesa do prefeito Luiz Adyr Gonçalves Pereira. Ao final da sessão o presidente da Câmara, Nereu Dal Lago, admitiu que as obras estão sendo feitas por conta de empréstimos. Isso depois da liderança de governo e oposição, defenderem e atacarem, respectivamente, a gestão municipal.

Cidade às escuras?

O requerimento nº 097/2020 aponta que existem lâmpadas queimadas e não haveria em estoque para trocar. Disso a solicitação de informação sobre licitação em andamento para a compra destes materiais para troca. Os vereadores Omar Picheth, Júlio Balkowski e Fernanda Sardanha fizeram a cobrança após suspeitarem de que as substituições estão sendo feitas por outras já usadas.

Picheth disse que a troca está sendo por lâmpadas velhas, já utilizadas. Para isso ele exemplificou com um pedido de uma moradora que ele encaminhou e foram feitas substituições sequenciais. “Se a gente der uma volta na cidade, no centro da cidade nós vamos achar, e eu contei, 41 lâmpadas queimadas”, disse. “E não andei muito de carro. 41 lâmpadas queimadas”, reafirmou o parlamentar.

O vereador citou haver desrespeito com o público, os cidadãos, e os funcionários que estão no setor. “Que estão com grande dificuldade porque eles não têm o material para fazer este serviço. E não preciso lembrar os senhores vereadores, iluminação pública é uma taxa e essa taxa sem foi com superávit, sobrou dinheiro”, justificou. “Está faltando sim, infelizmente, competência para fazer o gerenciamento disso e fazer a cobrança e comprar o material para ser trocado.”

Academia e placas indicadoras

O requerimento de nº 098/2020 pediu academia ao ar livre em Fluviópolis. Solicitação que aguarda solução desde 2017. “Este é um pedido que foi feito pela comunidade de Fluviópolis inclusive numa reunião ainda em 2017”, descreve a proponente, Marta Centa. “Foi uma das primeiras reivindicações dos moradores”, lembrou. A vereadora argumentou que independentemente por ser em último ano de governo que a instalação possa ser feita.

Júlio Balkowski ressaltou que esteve nesta reunião e que estas mobilizações são importantes.”Uma reivindicação da comunidade”, disse. Nela apareceram outras solicitações que são de importância para a localidade. O requerimento 099 solicita instalação de placas indicando entrada e saída de caminhões, visando evitar acidentes, ao destacar este trânsito, evitando acidentes. Seria um pedido ainda de 2018.

Marta, além deste, solicitou, os requerimentos de nº 100 e 101 pedindo, respectivamente, por placas de indicação de localidades do interior e ruas. “Tem muita rua sem identificação”, citou. Sem mencionar com exatidão o departamento, a parlamentar apontou certa ociosidade de alguns servidores que poderiam confeccionar placas. Fernanda Sardanha reforçou o pedido, também no meio rural.

Tomografia e raio X

O requerimento 102 pede por tomografia, raio x e ultrassom para auxiliar em diagnósticos médicos, evitando internamentos. “Este é um assunto um pouco polêmico”, disse a vereadora proponente. Marta Centa mencionou ações importantes no município, contudo citou a ausência destes serviços, em especial no final de semana. Para Covid-19, segundo ela, uma tomografia é importante.

Inclusive, pela situação de emergência talvez, de acordo com a vereadora, possa ser dispensado de licitação. Ela reclamou da dificuldade de ter de sair de São Mateus do Sul e ir para União da Vitória fazer um exame que poderia ser disponibilizado no Pronto Atendimento (PA). Julio Balkowski comentou caso de dificuldade para fazer exames no município e necessidade de ir para outras cidades. Mesmo posicionamento de Fernanda Sardanha, apontando dificuldade de fazer até ecografia.

A vereadora mencionou a disponibilidade de dois equipamentos que há pouco tempo estariam disponíveis, mas houve recusa por parte da prefeitura. Ela também citou a existência de raio X, mas necessidade de credenciamento ou contratação. Jackson Machado respondeu que o secretário de Saúde, Wagner Wolff, informou a contratação de serviço de tomografia, em especial de urgência e emergência, efetivado nesta semana.
Picheth citou ter feito esta cobrança e ter recebido a mesma informação da secretaria de Saúde. Contudo, em sua opinião deve ser estudado a instalação de tomógrafo para ser operado pelo município. Marta Centa, ao final, destacou que apesar de ser um município centenário e se comemorar isso, falta este serviço disponibilizado para servir a população. Sem tecer crítica, mas buscando algo mais.

Transporte escolar

Em seguida, puxado por Balkowski, o requerimento de nº 103 cobrou informações sobre contratos com empresas que prestam serviço de transporte escolar, assinado também por Picheth e Sardanha. O proponente disse que já pautou o assunto na Câmara e mencionou haver cobrança da categoria. “Ficaram esquecidos”, citou Julio. Segundo ele, a categoria ficou desassistida.

“Eles nem sabem se vão retornar”, apontou. “Cobramos uma posição do executivo”, reafirmou. Fernanda Sardanha opinou que os prestadores do transporte escolar querem auxílio, não recebendo sem fazer o serviço e sim uma solução que possa antecipar algum crédito a ser restituído com o trabalho futuramente. “Cabe ao executivo ver a viabilidade”, explicou cobrando compromisso da prefeitura.

O líder do prefeito mencionou ser situação delicada para todos. “Essa foi uma delas”, pontuou. Segundo ele, está sendo feito um estudo, se existe caso com jurisprudência para ser adaptado ao município. “Nem todos estão numa situação confortável”, afirmou. Jackson defendeu que o estado cortou o recurso para transporte escolar e que está sendo avaliado alternativas, pedindo apoio dos vereadores para ‘resolver juridicamente’.

Julio respondeu que caberia uma reunião, uma conversa. Reforçado de que a situação delicada, mas destacou a necessidade de uma discussão. “O que que está se fazendo com o dinheiro que era pago a eles?”, questionou. Estaria sendo aplicado, pelo fato de estar sobrando e não destinado para pagar este serviço. “Deve estar sobrando”, justificou na tratativa de uma solução para não ficarem sem renda.

Sardanha admitiu que diversos setores estão afetados economicamente pela pandemia. “É uma crise de saúde, econômica e social. Mas a questão é: nós dar ideia para o executivo, quando o executivo acatou alguma coisa que veio de nós?”, questionou. “Nunca”, respondeu. Segundo ela, existe o jurídico e é a quem compete dar uma justificativa ou alternativa para a prefeitura.

Negativa ao que disse o líder do prefeito Luiz Adyr, a vereadora manteve posição opinando que a situação deve partir da prefeitura. Jackson reafirmou que teve queda de arrecadação e o repasse teria sido cortado para transporte. Ele manteve o discurso que todos têm o espaço para ajudar, mas sem necessariamente rebater o que disse Sardanha sobre a gestão de não acatar proposições da Câmara.

Obras e reconhecimento

Uma indicação foi por manilhamento na Vila Pinheirinho, em que foram abertas valas e o serviço não teria sido concluído. A preocupação de Sardanha, sobre a qual cobrou urgência, seria de concluir o trabalho para evitar que águas das chuvas invadam as casas. Outro pedido solicitou a conclusão da melhoria na estrada que vai da Vila Bom Jesus em direção o Rio das Pedras A.

Sobre este assunto, Nereu Dal Lago afirmou que teria sido feito, mas a vereadora Sardanha citou de que faltou a conclusão. Ela, ainda, fez um requerimento formal pedido apoio de Edivaldo Guimarães, mencionando o atendimento de serviços em propriedades particulares. “Não só em período eleitoral, mas em todo mandato”, disse se referindo a estes serviços realizados e a importância.

Por ser da bancada do prefeito, Sardanha solicitou a ele o apoio para melhoria na estrada, na região de Fluviopólis – Potinga, próximo ao restaurante Moro. Em seguida foi votada e aprovada a Moção de Aplausos aos profissionais de Educação das redes municipal, estadual e privada, sob nº 003/2020, pelos trabalhos prestados no período de pandemia e a conversão do ensino presencial para o virtual.

A proposição foi apresentada na Câmara, tendo como proponente Marta Centa e assinada por todos os parlamentares. A vereadora, que é do meio educacional, disse que os profissionais da educação devem ser homenageados por este ato de bravura, em resposta à pandemia. Num cenário trágico e com dificuldades desde no acesso aos equipamentos ou internet, cada um tem feito sua parte.

Ela frisou que os professores tem se adaptado ao sistema virtual e estão dispostos em contribuir com o ensino, à distância, mas sem medir esforços nem ficarem restritos aos horários para prestar todo o apoio necessário. Fernanda destacou que os professores têm feito um trabalho amplo, com ampliação das horas normais.

Troca de mandato

Nas explicações pessoais, Julio assumiu que o trabalho de vereança não teve o êxito esperado. Ao somar conhecimento no Legislativo, segundo ele, as ações foram melhores. O parlamentar questionou setores da administração e avaliou negativismo, atrelado às dificuldades financeiras. Ele opinou que faltou mais união dos vereadores para apontar ações coletivas que pudessem ser implementadas.

Picheth informou agenda em Curitiba e acessos políticos no governo estadual e federal. O parlamentar esteve junto de Sardanha na Capital. Em seguida, o líder do prefeito rebateu Balkowski citando que o município desenvolveu muito nos últimos três anos. Segundo ele, ‘cidade limpa, bonita e harmoniosa’. Jackson avaliou que o próprio mandato foi positivo e o município avançou.

“Veja hoje as ruas centrais do nosso município. Que quando assumimos em 2017 tavam todas cheia de buraco”, afirmou. “Praças públicas abandonadas. Só faltava aparecer tigre nos capão de matos ai. Hoje tai a cidade pulsante novamente”, completou. O líder do prefeito disse ainda que o mandato dura por quatro anos, período em que a gestão está no comando para trabalhar.
Sardanha rebateu, em seguida, a dita ‘situação tão ruim’ atribuída à gestão anterior e argumentou que em março havia R$ 17 milhões em caixa, saldo que não afina com situação ruim. A vereadora citou de que quando Luiz Adyr deixou o mandato, em 2012 para 2013, sem nenhuma ambulância para transporte de passageiros. “Se nós for lavar roupa suja aqui, bom e ruim, qualidade e defeito tem todos”, opinou.

A parlamentar defendeu de que precisa parar com o discurso de jogar culpa no outro. Sobre os avanços, Sardanha disse que o ‘canteiro de obras’ está sendo feito com R$ 16 milhões financiados, que o povo terá de pagar, e mais R$ 3 milhões do Estado. “Tem que parar de dar desculpa e trabalhar efetivamente pelo povo com projetos sustentáveis e efetivos e que sejam voltados à população são-mateuense”, emendou.

Nereu observou que a função do vereador é limitada. Não pode gerar despesas. O presidente destacou ‘o canteiro de obras’, admitindo o financiamento feito e recursos estaduais e federais para isso. O endividamento, segundo ele e dizendo concordar, é ‘pagável’. Também disse que estes valores de investimentos vão ser investidos na sequência, na próxima legislatura. Parabenizando o prefeito pelas ações.

Palavra de garantia

A comunidade do Pontilhão terá reaberto o posto de Saúde, ‘no final do mês ou começo do mês’. É o que garantiu o vereador Edival Guimarães que é da bancada do prefeito. “Vai ter médico das 8h às 17h, 40 h por semana então. Mais as enfermeiras”, informou o parlamentar. Outra garantia dele foi sobre as estradas rurais, sobre as quais agradeceu ao trabalho da equipe e prefeito.

“Que não tem lugar ruim assim as estradas. Tudo lugar bom, agora. Tem os buraquinhos ali, mas isso aí é tempo né. Isso ai, buraco faz com chuva ou talvez de um barro mole né”, argumentou. Parabenizando a equipe, Edival Guimarães reafirmou: “em todos os lugares que você passa assim tá boa as estradas. Claro que a oposição vai falar mal, é ano político. Claro”, opinou o parlamentar.

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