Sicupira recebendo mais uma das muitas homenagens. (Fotos: Arquivo Pessoal)

O vereador e presidente da Câmara Municipal, Omar Picheth (coxa branca de coração), propôs o projeto de lei do legislativo 02/21, concedendo o título de Cidadão Honorário ao ex-jogador de futebol e craque do Athlético Paranaense, Barcímio Sicupira Júnior. O projeto foi aprovado por unanimidade em sua primeira votação na Câmara e aguarda a comprovação na segunda votação, no dia 30 de março.

O ex-jogador teve boa parte de sua infância vivida em São Mateus do Sul, onde seu pai passou a morar devido ao trabalho. Ele sempre declara que tem muito mais ligação com nossa cidade do que com a Lapa, onde nasceu. Lembranças do cinema, da barranca do Iguaçu, do prédio da prefeitura, pois morou ali perto, e sempre cita as boas lembranças de São Mateus do Sul.

Sicupira, como é nacionalmente conhecido no meio futebolístico, nasceu na cidade da Lapa, começou a jogar no extinto Ferroviário de Curitiba e depois foi para o poderoso Botafogo, do Rio, nos anos 60, sendo que tomou força na carreira em 1964 e jogou no time que tinha Nilton Santos, Gerson, Didi, Garrincha, Jairzinho, Paulo Cézar Caju e Zagallo.

Chegou no Athlético, em 1968, e estreou contra o São Paulo, empatando o jogo com um golaço de bicicleta (fez 8 gols assim na carreira), recebendo o apelido de Rei das Bicicletas. Na estreia de todos os times que jogou sempre deixou sua marca fazendo gol. No ano de 1970, formou um grande time no Athlético, mas eram tempos de vacas magras no rubro negro e o time foi desacreditado, mas foi esse o ano em que levantou seu único campeonato, tirando o Athlético da fila de espera que já durava 12 anos. Foi considerado o responsável pela virada faltando 15 minutos contra o União Bandeirante, que tinha o famoso goleiro Mão de Onça, e depois articulou os quatro gols da vitória contra o Seleto, de Paranaguá, no litoral. Com seu talento como craque, Sicupira, comandou aquele time auxiliado por jogadores históricos, como Djalma Santos, Zico, Júlio, Nilson Borges e aos pratas da casa Alfredo e Liminha, o Furacão conquistou um título pouco provável. Foi o “Tostão contra o Milhão”, o Título da Raça. Sicupira também foi o artilheiro naquele ano.

Sicupira é o maior artilheiro da história do Athlético, com 156 gols. Foi artilheiro em dois Campeonatos Paranaenses, de 1970, com 20 gols, e 1972, com 29 gols. Nenhum jogador athleticano bateu essa última marca em estadual, só foi superado por Alcântara do Campo Mourão, em 91. Até hoje, ele é o segundo maior artilheiro do Paranaense de todos os tempos.

No início dos anos 70, no campeonato brasileiro, recebeu outro apelido: “Alegria dos cardiologistas”, pois num jogo contra o Bahia, que estava invicto, Sicupira recebeu a bola na frente aos 44 minutos do segundo tempo e o craque cabeceou, marcando. O juiz assinalou o impedimento e anulou o gol. A alegria dos baianos durou pouco. O Bahia colocou a bola em jogo depois da infração marcada, chutando a pelota em cima de Luís Antônio, que deu um toque para Sicupira, que chutou forte e marcou: Athletico 1 x 0 Bahia. O então diretor de futebol, Lauro Rego Barros, passou mal no vestiário e teve que ser levado às pressas para o hospital mais próximo da Baixada. O apelido começou aí e se firmou, pois em menos de um mês Sicupira decidiu três jogos em cima da hora no fim do segundo tempo (América aos 47, Bahia aos 45 e Santa Cruz 49). Esse time ainda venceu o Santos com Pelé, Carlos Alberto e Clodoaldo em campo, logo após o tricampeonato mundial no México.

Em 1972, foi emprestado ao Corinthians e jogou ao lado de Rivelino, Zé Maria e Ado, fazendo uma bela campanha no paulista. Retornando ao Athlético, formou aquele que é considerado o maior time de todos os tempos do Furacão: com Picasso, Claudio Deodatto, Di, Alfredo e Júlio; Sergio Lopes, Valtinho e Sicupira; Buião, Ademir Rodrigues (Kelé) e Nilson Borges. Mas apesar disso não conseguiu o campeonato.

Com a camisa do Athletico, fez uma campanha problemática em 1973. Com graves problemas financeiros e descaso da diretoria de futebol, o discurso de Sicupira era sempre o seguinte: “Olha, quando a gente entra em campo não quer saber o valor do bicho (premiação por vitória) ou se existem outros problemas. Dentro do campo, a gente briga e é para ganhar o jogo”. Assim foi no Atletiba em que o Athletico saiu aplaudido de pé pela torcida, após os milagres de Jairo, goleiro do Coritiba.

Em 74, com o Athletico, fez uma bela campanha no brasileiro daquele ano, ficando em sexto colocado na primeira fase e fazendo uma boa segunda. Já em 75, com muita reformulação no elenco e com diversas contusões que começaram a perseguir o craque, chega ao fim a sua carreira, aos 31 anos.

Em uma época pouco comum para jogadores de futebol, Sicupira mostrava que estava à frente de seu tempo e já era graduado em Educação Física. Respeitou tanto a camisa do Athletico e sua torcida que nem sequer cogitou atuar por outro time profissional, mesmo tendo idade e condições físicas.

Voltou ao Athletico em 1978, como técnico para a campanha no nacional, mas permaneceu por pouco tempo no comando e foi substituído. Nunca mais assumiu uma equipe profissional para ser treinador. Foi diretor de futebol no extinto Colorado, em 1979. Depois, tornou-se cronista esportivo e é sucesso nas rádios, considerado um dos maiores craques, até os dias de hoje.

Em 2020, foi lançado um livro sobre a sua trajetória, com um lançamento bem original ao estilo drive in na Pedreira Paulo Leminski, onde do palco comentou algumas das históricas que estão no livro, para um grande público dentro dos carros.

Sicupira com certeza faz parte dos Top 10 do futebol paranaense, mas, ao contrário de outros craques, que eternizaram as camisas 7, 9 ou 10, fez sucesso com a camisa 8 e reza a lenda que muitos falavam que até os adversários gostavam de vê-lo jogar, por isso o número 8 deveria deitar e se transformar em infinito, para que nunca parasse de desfilar seu futebol nos gramados.

Hugo Lopes Júnior
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