Histórias de Terra e Céu

Viajando por Buracos de Minhoca

Foto: www.ultimas-curiosiades.blogspot.com

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O amigo Eleandro Soares me pede para que eu fale nesta coluna sobre as “Pontes de Einstein-Rosen”. É um belo tema e um belo nome para uma solução científica, mas nós astrônomos usamos um termo bem mais simples para esta teoria: os “buracos de minhoca”.

Quando Einsten desenvolveu a Teoria da Relatividade Geral, tudo o que pensávamos sobre o Universo se modificou. Tempo e Espaço passaram a ser uma única “entidade”, com uma geometria especial (que até hoje gera discussões astronômicas). Descobrimos que objetos massivos curvam o espaço-tempo, atraindo corpos de massas menores e deslocando até mesmo a luz. Tudo bem, e que relação isso tem com os buracos de minhoca?

Bom, ao descobrir que o espaço-tempo pode ser incrivelmente curvo, alguns cientistas começaram a se perguntar se não poderiam haver “atalhos” capazes de ligar partes distantes do Universo. A metáfora mais usada foi a da minhoca (ou verme) na maçã. Para os cientistas, assim como a minhoca poderia gastar um bom tempo passeando sobre a superfície da maçã, ela também poderia criar um buraco na casca e atravessar rapidamente para o outro lado. Foi assim que a teoria ganhou o nome de “Buraco de Minhoca” (ou buraco de verme).

Eu sei que até aqui isso parece aquelas conversas que ocorrem no boteco, depois que bebemos mais do que a conta, mas é aí que entra a matemática. Em 1916 apareceram os primeiros cálculos provando que este modelo era possível. Em 1935 Albert Einstein e Nathan Rosen propuseram que uma região similar ao que chamamos de “buraco negro” poderia ser uma espécie de passagem para uma outra região (que foi chamada de buraco branco) e comprovaram matematicamente que os buracos de minhoca poderiam ser o “túnel” que encurtaria esta viagem. Por isso os buracos de minhoca ganharam o nome pomposo de “Pontes de Einstein-Rosen”.

Apesar de ainda haver muitos questionamentos sobre este assunto, essa seria uma solução ideal para as viagens espaciais. Se pensarmos que, com a tecnologia atual, levaríamos cerca de 80 mil anos para chegar até a estrela mais próxima do Sistema Solar (Alfa do Centauro), encontrar um atalho facilitaria bastante as coisas. E já existem cientistas trabalhando com a hipótese de múltiplos universos, todos interligados por estes túneis espaciais.

Talvez você ache que isso é loucura, mas lembre-se que, há apenas alguns séculos, falar que a Terra girava em torno do Sol também era considerado loucura. Era “óbvio” que o Sol girava diariamente em torno da Terra! A ciência ajuda os homens a quebrar seus próprios paradigmas. Quem sabe se no futuro nossos tataranetos não passarão as férias em Alfa do Centauro, e ainda se divertirão sabendo que chamávamos os tuneis espaciais de “buracos de minhoca”?

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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