Prismas

Vida em sociedades

Cena do filme “Náufrago”. (Imagem Ilustrativa)

Aristóteles afirmava, 23 séculos atrás, que “o homem é um ser social”, pois precisa do grupo para sua sobrevivência. Os outros também influenciam a maneira como vivemos e aquilo que fazemos. Neste contexto, gostaria de destacar a importância das associações, dos clubes ou agremiações na vida das pessoas, pois o homem tem necessidade de pertencimento, como dizia Abraham Maslow.

No último final de semana, participei de um baile de debutantes onde sete belas jovens foram apresentadas à sociedade. É uma pena que eventos como este sejam cada vez mais raros. Para as meninas, não foi só a noite do baile. Os meses que antecederam o grande dia foram marcados por aulas de etiqueta, postura, moda e passarela. Falou-se também sobre nutrição e práticas saudáveis. Porém, o principal ensinamento foi a da importância da amizade na vida das pessoas, do respeito por quem conosco convive.

O clube onde tudo aconteceu foi fundado em 1859 por imigrantes europeus e conserva uma estrutura impecável. A sociedade sobreviveu a pressão interna pelas duas grandes guerras, superou as recessões econômicas e continua mantendo grande parte da tradição de seus fundadores e garantindo acesso à prática esportiva e lazer.

Em clubes como esse destacam-se e ganham experiência, quando já não a tem, os futuros líderes da comunidade, que como em todos os clubes, exercem seus mandatos sem remuneração. Fazem porque gostam, porque julgam que o seu trabalho é importante para a sociedade a que pertencem. Nem sempre são reconhecidos por isso.

Pena que a maior parte dos clubes passe por dificuldades financeiras e de administração atualmente. Sem participação e contribuição de seus associados os clubes não investem. Sem investimentos não surgem novos associados. A dificuldade está em quebrar este ciclo.

Depois do evento, eu falava sobre isso com uma pessoa amiga e ela lembrou o quanto eram esperados os Bailes de Debutantes, do Havaí ou o do Chopp. Ela tinha viva na memória os melhores anos do CIS. Na cidade onde passei a adolescência e parte da juventude também era assim. A tradição e a religiosidade mandavam esperar pelo Baile de Páscoa, os Bailes de Ano Novo eram aguardados com ansiedade e bastante concorridos, pois não havia nada melhor do que esperar um novo ano com famílias amigas. No Carnaval, a alegria estava garantida com os bailes de salão.

Os clubes também eram ponto de encontro dos jovens e ali se iniciavam relacionamentos duradouros. Homens e mulheres estavam do mesmo lado e a vida era menos solitária, mais participativa e menos introspectiva.

Posso ser um saudosista, o tempo faz isto com a gente, mas eu gostaria que aqueles que vieram depois de mim também pudessem ter a oportunidade de experimentar um pouco do que pude vivenciar como sócio e também como administrador de um clube.

Quem sabe redescubramos a importância do convívio em agremiações, da manutenção das tradições. Não há nada mais importante do que a memória de uma sociedade. Para o indivíduo, talvez o seu maior bem sejam as amizades conquistadas e o sentido de pertencimento.

Adnelson Borges de Campos
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