(Imagem Ilustrativa)

Quem acompanha a minha coluna já deve ter se habituado às minhas constantes idas aos assuntos católicos. Penso que esse contexto quase não é abordado na rotina diária de um mundo que se esqueceu de Deus, ou melhor, de um mundo que acha que pode se esquecer de Deus. E não haveria melhor escolha do que utilizar esse espaço para o mais importante dos conteúdos, aqueles que elevam as nossas mentes e corações para as coisas de Deus.

Por isso, mesmo que esqueçamos ou não acreditemos, essas linhas gostariam de focar que Cristo é o Rei do Universo. Celebrado sempre no último domingo do ano litúrgico, uma semana antes do início do advento, a festa de Cristo Rei vem exaltar ser Ele o dono da vida e da história, dos vivos e dos mortos. Como disse Santo Inácio de Loyola, “o Rei eterno é Jesus Cristo, que oferece opróbios e desprezos, cruzes e desapegos; e por esse caminho em seu seguimento, a vida eterna e feliz para sempre”. Foi o próprio Jesus quem se proclama rei no dia da sua condenação, dizendo que o seu reino não é deste mundo. “Pilatos disse a Jesus: Então tu és rei? Jesus respondeu: Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.

Foi em 1925 que ocorreu a instituição da festa pelo Papa Pio XI, motivada pelo crescimento do comunismo após a primeira guerra mundial. O final do seu pontificado assistiu a Guerra Civil Espanhola, onde “Viva Cristo Rei!” eram as últimas palavras de muitos mártires assassinados durante as perseguições religiosas. Ainda antes, entre os anos de 1926 a 1929, Pio XI havia visto o mesmo no México, na Guerra dos Cristeros ou Cristiada, uma consequência da Constituição anticlerical de 1917, que continha cinco artigos que eliminavam direitos da Igreja Católica naquele país. Um desses artigos retirava dos padres e religiosos direitos civis básicos, como o direito ao voto e de comentar assuntos da vida pública na imprensa, além de estarem proibidos de usar os seus hábitos. Como resposta a uma crescente violência do Estado laico, que proibia cultos públicos, a existência de ordens monásticas e de direitos de propriedade da Igreja, leigos e religiosos decidiram pegar em armas para defender a fé.

Estima-se que mais de 250 mil pessoas morreram nos dois lados e dezenas foram elevadas aos altares, sendo a data de 20 de novembro instituída pela Igreja para celebrar esses mártires. Dentre eles, está o pequeno Joselito, o São José Sánchez del Río, morto pelos odiadores da fé com apenas 14 anos. Ele pediu a seus pais para se alistar como soldado e, apesar da tentativa de sua mãe de dissuadi-lo da ideia, ele lhe respondeu: “Mamãe, nunca foi tão fácil ganhar o céu como agora”. Torturado por oficiais do governo, estes cortaram-lhe a sola dos pés, sendo conduzido descalço até o seu túmulo, e enquanto caminhava, José chorava, rezava e gritava “Viva Cristo Rei e a Virgem de Guadalupe!”. Foi pendurado em uma árvore e esfaqueado. Um dos carrascos perguntou que mensagem deixava aos seus pais, ao que respondeu: “Que viva Cristo Rei e que nos veremos no Céu”. Após essa resposta, recebeu um tiro na cabeça.

Quanta fé e coragem em uma pessoa tão jovem! São essas as convicções de um verdadeiro cristão que é exposto ao ódio do mundo. Afinal, foi o próprio Rei, manso e humilde de coração, quem deu o exemplo ao se entregar à Cruz pelo perdão de nossos pecados. Então, digamos sempre, Viva Cristo Rei!

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores. Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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