Prismas

Vivemos no limite entre duas eternidades

(Imagem Ilustrativa)

Lembrei-me de um curso que fiz há muitos anos e que preparava as pessoas para falar em público, porém não se limitava a isso. Todo o material de treinamento era baseado na obra de Dale Carnegie, um escritor e orador americano.

Um dos módulos tratava de questões relativas a como evitar as preocupações. Os textos escritos por ele são do final da década de 1940 e citam que um dos grandes problemas de saúde pública à época eram (continuam sendo), as questões ligadas a distúrbios mentais e emocionais. A depressão, ansiedade, síndrome do pânico, estresse, fobia social, são exemplos disso.

Um dos fatores que contribuem para que isto aconteça seriam as preocupações. Segundo alguns dicionários, preocupação é a ideia fixa e antecipada que perturba o espírito a ponto de produzir sofrimento. É justamente este o ponto apontado pelo autor que num dos trechos do livro cita a frase de um jovem pregador galileu: “não andeis pensando no dia de amanhã. Porque o dia de amanhã a si mesmo trará o seu cuidado; ao dia basta a sua própria aflição”. Uma tradução mais moderna talvez pudesse ser “não vos preocupeis com o dia de amanhã”. Em sua principal oração ensinada, Ele apenas pedia ao Pai “o pão nosso de cada dia”, talvez porque este é o único que nos é garantido ter ou não ter.

Assim, estamos, neste exato momento, entre duas grandes eternidades: o extenso passado, extinto para sempre, e o futuro que se estenderá até a último bite do registro do tempo. E é somente neste momento que temos o controle sobre o que acontece conosco, a partir do momento que abrimos os nossos olhos para um novo dia até a hora os fecharmos para o sono. Nesta pequena fração do tempo, com base em nossas decisões, construímos o nosso futuro.

Segundo o poeta e escritor Robert Louis Stenvenson, qualquer um pode realizar o seu trabalho, carregar o seu fardo ou viver, doce, paciente, amorosa e puramente até o pôr do sol. É isto que nos cabe, o dia de amanhã não está garantido.

Porém insistimos em sofrer com nossa dificuldade em enfrentar o ontem e o amanhã. O passado, já passou. Não vale a pena chorar o leite derramado. Também não há por que sofrer com aquilo que ainda virá e cultivar a ansiedade.

É claro que é preciso pensar no futuro, planjá-lo, mas não se atormentar com isso, sofrer até adoecer. Para escritor escocês Thomas Carlyle, “o nosso objetivo principal não é ver o que se encontra vagamente à distância, mas fazer o que se acha claramente ao nosso alcance”.

O futuro é hoje, não amanhã. Se você pensa em construir uma boa base para o futuro, faça da melhor forma o hoje, use o aprendizado com o passado como base para a construção do seu presente. Não é um exercício fácil, pois preocupar-se é como um vício, mas lembre-se desses conselhos quando a preocupação lhe tirar o sono.

Adnelson Borges de Campos
Últimos posts por Adnelson Borges de Campos (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Nossa opção pelo rodoviarismo
Escrevendo
A gula por informações