Conjunto habitacional, moradia é algo muito caro em Hong Kong, diz Paula. (Fotos: Acervo Pessoal)

O Pelo Mundo dessa semana é com a Paula Marina Fleith Vieira, 34 anos, casada desde 2014. Nascida em Porto União, mas passou a morar em São Mateus do Sul antes de fazer seus 2 anos. Estudou no colégio Sema e na escola Professora Arlete Neves Schramm. Sua primeira experiência fora foi em um intercâmbio, aos 16 anos, quando passou um ano no México. Ao regressar, terminou o segundo grau e foi para Curitiba fazer o curso Administração Internacional de Negócios, na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Ao terminar em 2007, foi trabalhar para o banco HSBC e, sendo uma empresa presente em mais de 80 países, possibilitou muitas oportunidades. Assim, foi trabalhar no México e depois foi para Hong Kong, onde está há pouco mais de 8 anos.

Como é morar em Hong Kong?
Aqui é completamente diferente, é um lugar único, que nunca deixa de me surpreender. Apesar de ter uma população de mais de 7 milhões de pessoas, tem em muitos pontos o ar de uma cidade pequena, além de ser extremamente segura. Antes das limitações da Covid-19, andava para todos os lados, inclusive ia a pé trabalhar. Daqui, dá para ir conhecer outros lugares da Ásia pela localização central e, por ter um dos aeroportos mais eficientes do mundo, dizem que até 2019 era o que recebia o maior número de passageiros.

As diferenças culturais nunca deixam de surpreender, mas aqui nos tornamos seres humanos melhores, pois aprendemos a respeitar as diferenças, visto que tem gente de todo o mundo. Como Hong Kong foi colônia britânica, aqui tem duas línguas oficiais: o cantonês e o inglês. Dessa forma, nunca tive dificuldades com o idioma, mas tem ocasiões que o cantonês faz falta.

Vista de Hong Kong e os modernos edifícios da orla.

Vista do alto da baía de Hong Kong.

Curiosidade, a construção de edifício com andaimes em bambu.

Conjunto habitacional, moradia é muito cara.

Qual o seu trabalho em Hong Kong?
Sou diretora de Conduta e Qualidade de Vendas para a Ásia, do HSBC. E também sou responsável por negócios em 20 países e um time de quase 200 pessoas. Meu trabalho é assegurar que todos os produtos e serviços que oferecemos para o público seja justo, fáceis de entender e de bom custo-benefício para o consumidor. Embora meu trabalho não seja fácil, fico muito feliz em saber que ele impacta de maneira positiva a vida de muita gente. Através dele, tive a oportunidade de visitar, pelo menos, uma dezena de países e conhecer pessoas fantásticas.

Sente saudade de algo no Brasil?
Sim, tenho muita saudade da família e dos amigos. Paga-se um preço alto por morar tão longe e sempre dói perdermos tantos acontecimentos na vida das pessoas que amamos.

Outra das coisas que mais sinto falta do Brasil é a feijoada e algumas comidas, mas principalmente a felicidade do brasileiro. A energia desse povo é única.

O que falta para o Brasil, que tem aí?
Uma das coisas que mais me impressiona aqui em Hong Kong é a presunção de que as pessoas são honestas. De fato, a criminalidade aqui é muito baixa e isso é notável caminhando pelas ruas, pois muitas lojas deixam parte de seu estoque para fora, sem vigiar. Outra experiência interessante, que tive recentemente, foi vendendo alguns móveis usados em uma plataforma parecida com Mercado Livre. Os compradores fizeram o depósito na minha conta, sem garantia alguma e arranjaram a coleta dos itens via terceiros, sem terem nem visto o que estavam adquirindo.

Como o Brasil é visto por Hong Kong?
Aqui o Brasil é visto como sinônimo de futebol. Impressionante como o esporte tem o poder de atravessar fronteiras.

Há curiosidades existentes aí?
Hong Kong é muito bem administrada, em termos dos recursos públicos. Transporte e saúde pública funcionam muito bem, apesar dos impostos sobre o salário ser de, no máximo, 15%. Por outro lado, o custo de moradia aqui é um dos mais altos do mundo… para se ter uma ideia, uma garagem para um carro no centro da cidade custa mais de R$ 1 milhão, isso faz com que seja bastante comum que casais continuem a morar com seus pais ou sogros, mesmo depois de casados.

Outra coisa é que as pessoas são bem supersticiosas. Você pode perceber que a maioria dos prédios não tem o 4º andar (pula do 3º direto para o 5º) e isso se deve por que a palavra em cantonês para o número 4 e morte são praticamente idênticas.

Comparando com o Brasil?
É difícil comparar Hong Kong com o Brasil, mas acredito que o que faz um lugar bom ou ruim são nossas relações pessoais. Apesar de ter morado em lugares completamente distintos, no fim das contas o que importa mesmo são as pessoas com as quais dividimos nossa vida. E o sorriso nunca deixará de ser uma linguagem universal.

Família veio visitar e passeando num templo budista.

Roda gigante e o arranha céu tocando as nuvens.

A bela vista de Hong Kong, do apartamento onde mora.

Paula num passeio de barca pela baía de Hong Kong.

Finalizando:
Meu marido e eu amamos viajar e já visitamos dezenas de países. Viajar é uma das experiências mais enriquecedoras que alguém pode ter e nada me faz mais feliz do que conhecer algo completamente diferente de tudo que já vi. Minhas experiências mais marcantes foram no Japão – com as pessoas mais educadas do mundo – Istambul na Turquia – minha cidade favorita – e Marrocos – é uma delícia se perder nas ruas de Marrakesh. Também digo que em qualquer estação de esqui viro criança.

Amo trabalhar fora, ainda mais aqui, e sou grata pelas experiências que isso me proporciona. Mas nada na vida é perfeito e tenho muita saudade e culpa por estar longe, sendo isso algo que ninguém vê.

Hugo Lopes Júnior
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