(Imagem Ilustrtiva)

Há alguns dias vi um vídeo no YouTube que mostrava como os russos gostam de utilizar apelidos para os nomes. O nome Alexandre, por exemplo, tem pelo menos 20 variações que são usadas conforme a situação. Pode ser simplesmente Sacha. Os poloneses também têm esse costume. É comum que José seja chamado de Iújo pelos polácos.

Hoje pela manhã era noticiado que estavam organizando a segunda rodada de negociações entre Rússia e Ucrânia. Esperança de encerramento desse conflito que já gerou tantas mortes e prejuízos globais. O negociador pelo lado da Rússia será Vladimir Medinski. Isso me chamou a atenção pois o líder Russo é Vladimir Putin e o da Ucrânia é Volodimir Zelenski. Considerando o gosto por usar alcunhas para os nomes próprios, não é exagero imaginar que entre os amigos eles sejam tratados por Vlad ou Vlod, sendo que há grande possibilidade de Vlodimir ser uma variação de Vladimir.

No entanto, o apelido Vlad talvez seja evitado, para que não remeta ao Vlad III, “o empalador”. Este nasceu na Romênia, país que faz fronteira com a região onde ocorrem as batalhas entre russos e ucranianos. Era filho de Vlad II e ficou mundialmente conhecido pela extrema crueldade com qualquer um que o contrariasse. Se comparado a Vlad, qualquer líder cruel que você imaginasse seria apenas um moleque. O apelido de “o empalador” se deve ao fato de que ele tinha o hábito de empalar os inimigos e até mesmo os amigos que o contrariassem em alguma decisão política.

Os soldados de Vlad introduziam uma estaca de madeira pontiaguda e lubrificada nas partes íntimas da vítima, a fazendo sair pela boca. Depois da morte horrenda as estacas eram fixadas no solo como um poste, ficando o cadáver a 3 ou 4 metros do chão. Num dos eventos de empalamento mais famosos, o exército de Vlad enfrentaria o poderoso exército de Mohmed II, sultão turco que já havia conquistado Constantinopla e vencido muitas batalhas. Porém a aproximação do exército otomano foi detida por uma cena horripilante. 20 mil corpos empalados ocupavam uma área gigantesca. Alguns já em estado avançado de putrefação. A visão daquilo fez com que Mohmed desistisse da batalha e retornasse para seu país alegando ser impossível lutar contra um inimigo capaz de tamanha crueldade. Dessa forma os cristãos repeliram o avanço otomano. Sim, Vlad era cristão!

Seu pai tinha sido nomeado cavaleiro da Ordem do Dragão, um grupo armado dedicado à defesa da cristandade e do imperador. Foi assim que ele passou a usar o nome Dracul (filho do dragão). Os filhos da Vlad também adotariam como sobrenome a palavra Dracul e depois de muitas histórias de sofrimento e traições, o filho Vlad seria alçado ao poder e passou a comandar um grande exército. Vlad ganhou a fama de cruel e isso apavorava os inimigos.

O terror era causado pelos métodos que usava para matar desafetos. O empalamento. Vlad variava. Às vezes espetava o abdômen, outras vezes usava estacas para pregar os bebês no peito das mães. Era tão fascinado por empalamentos, que quando não tinha humanos para empalar, praticava com ratos ou pássaros.

Vlad Dracul foi o personagem da história real da Europa medieval que inspirou o escritor Bram Stoker a criar o personagem da ficção, Drácula, o conde vampiro.

A crueldade aterroriza as pessoas comuns e até mesmo soldados treinados. Muitos líderes usaram isso para obter vantagens nos campos de batalha.

Esperamos que as coincidências fiquem apenas nos nomes e que os “Vlad” de hoje não sejam capazes de nada parecido com o que fez Vlad III.

Luís Ferraz
Últimos posts por Luís Ferraz (exibir todos)

Comentários

MATÉRIAS RELACIONADAS
O que levar na mochila?
O sete se foi, e agora José?
A preferência dos grilhões