Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Vocação: Saída de Si Mesmo

Imagem Ilustrativa

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Caros amigos (as), o mês de agosto é lembrado pela Igreja Católica como o Mês das Vocações. Cada um de nós, é chamado por Deus para experimentar Seu Amor e fazê-lo conhecido, difundi-lo, e isto podemos fazer por vários caminhos, de vários modos. Uma coisa contudo é essencial: Não pensar em si mesmo; esvaziar-se de si; pensar no outro. Mas isso não é algo ruim, pelo contrário, nos faz encontrar o que tanto buscamos, a felicidade.

Para entendermos melhor, convido você a pensar na reflexão trazida pelo Papa Francisco, em alusão ao 52º Dia Mundial de Oração Pelas Vocações, celebrado no dia 26 de abril. Não importa sua vocação, o caminho ao qual você segue; estas palavras servem para nossa vida como um todo. Parafraseamos aqui apenas alguns trechos do texto:

Amados irmãos e irmãs!

Lembrando a imagem de Jesus, o Bom Pastor, lembramos a importância de rezar para que, o Dono da Messe mande trabalhadores para a Sua Messe. Jesus deu esta ordem no contexto de um envio missionário. Se a Igreja é, por sua natureza, missionária, a vocação cristã só pode nascer dentro duma experiência de missão. Assim, ouvir e seguir a voz de Cristo Bom Pastor, significa permitir que o Espírito Santo nos introduza neste dinamismo missionário, suscitando em nós o desejo e a coragem de oferecer a nossa vida e gastá-la pela causa do Reino de Deus.

A oferta da própria vida nesta atitude missionária só é possível se formos capazes de sair de nós mesmos. Falo precisamente sobre um «êxodo» muito particular que é a vocação, a nossa resposta à vocação que Deus nos dá.

O êxodo na Bíblia que revelou a história de amor entre Deus e seu povo, quando pela vocação de Moisés libertou o povo da escravidão no Egito o levando para a Terra Prometida, revela a obra redentora que se realiza em nós por meio da fé em Cristo; é o caminho da alma cristã e da Igreja inteira, a orientação decisiva da existência para o Pai.

Na raiz de cada vocação cristã, há este movimento da experiência de fé: crer significa deixar-se a si mesmo, sair da comodidade e rigidez do próprio eu para centrar a nossa vida em Jesus Cristo; abandonar como Abraão a própria terra pondo-se confiadamente a caminho, sabendo que Deus indicará a estrada para a nova terra. Esta «saída» não deve ser entendida como um desprezo da própria vida, do próprio sentir, da própria humanidade; pelo contrário, quem se põe a caminho no seguimento de Cristo encontra a vida em abundância, colocando tudo de si à disposição de Deus e do seu Reino. Como diz Jesus, «todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna» (Mt 19, 29).

Tudo isto tem a sua raiz mais profunda no amor. De facto, a vocação cristã é, antes de mais nada, uma chamada de amor que atrai e reenvia para além de si mesmo, descentraliza a pessoa, provoca um «êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus» (Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est, 6).

A experiência do êxodo é paradigma da vida cristã, particularmente de quem abraça uma vocação de especial dedicação ao serviço do Evangelho.

A vocação é sempre aquela ação de Deus que nos faz sair da nossa situação inicial, nos liberta de todas as formas de escravidão, nos arranca da rotina e da indiferença e nos projeta para a alegria da comunhão com Deus e com os irmãos. Por isso, responder à chamada de Deus é deixar que Ele nos faça sair da nossa falsa estabilidade para nos pormos a caminho rumo a Jesus Cristo, meta primeira e última da nossa vida e da nossa felicidade.

Esta dinâmica de êxodo rumo a Deus e ao homem enche a vida de alegria e significado. Gostaria de o dizer sobretudo aos mais jovens que, inclusive pela sua idade e a visão do futuro que se abre diante dos seus olhos, sabem ser disponíveis e generosos.

Às vezes, as incógnitas e preocupações pelo futuro e a incerteza que afeta o dia-a-dia encerram o risco de paralisar estes seus impulsos, refrear os seus sonhos, a ponto de pensar que não vale a pena comprometer-se e que o Deus da fé cristã limita a sua liberdade.

Ao invés, queridos jovens, não haja em vós o medo de sair de vós mesmos e de vos pôr a caminho! O Evangelho é a Palavra que liberta, transforma e torna mais bela a nossa vida. Como é bom deixar-se surpreender pela chamada de Deus, acolher a sua Palavra, pôr os passos da vossa vida nas pegadas de Jesus, na adoração do mistério divino e na generosa dedicação aos outros! A vossa vida tornar-se-á cada dia mais rica e feliz.

Fonte:
https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/vocations/documents/papa-francesco_20150329_52-messaggio-giornata-mondiale-vocazioni.html

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