Na última semana recebi um link com um texto de um jornalista americano, chamado Zat Rana, cujo título afirmava: “Não é o que você sabe, é como você pensa”. Lendo o artigo passei a compreender melhor como algumas pessoas insistem em seus pontos de vista, mesmo recebendo uma série de informações e evidências sobre determinados fatos ou situações que direcionariam a decisão ou interpretação em outro sentido.

Muitas vezes alguns modelos mentais individuais chegam a assustar tamanha a incoerência. Para alguns sujeitos o seu modo de pensar está correto e o mundo todo errado e não aceitam discutir qualquer tipo de argumentação.

Segundo Rana, a partir do nosso nascimento, conforme o tempo passa, começamos a entender (eu prefiro usar “formar”) a nossa realidade, não a do mundo, a nossa realidade. Passamos a escolher os alimentos que são bons para nós, aprendemos a evitar a dor e nos apegamos àqueles que podem e cuidam de nós.

Nosso cérebro também busca padrões, formando hábitos de ação e de pensamento, que incorporamos às nossas memórias para reduzir a nossa carga cognitiva. Procuramos economizar energia e assim, usamos muitas respostas prontas, para determinadas situações.

Assim, se não buscarmos, se não estivermos abertos para novos padrões, novos modelos, corremos o risco de pararmos no tempo e nos prendermos a velhos paradigmas. É fundamental mergulhar em diferentes culturas, disciplinas, experiências e linguagens sem desprezar nossas origens.

Os modelos, os padrões que criamos são como ferramentas. Se a minha caixa de ferramentas tem apenas um martelo, qualquer problema que surgir poderá se tornar parecido com um prego ou será tratado como um prego.

Num momento em que muito se discute o papel do educador em relação a ideologias políticas, eu, com base nos meus modelos mentais, na forma como aprendi a pensar, acredito que o papel do mestre não é o de convencer seus discípulos de suas convicções e sim de apresentar os diversos tipos de pensamento, ajuda-los a desenvolver seu senso crítico e a partir daí, formar suas próprias convicções, equipando sua caixa com os mais diversos tipos de ferramentas, para que possam usar a mais adequada para cada situação.

Sempre é tempo de rever posicionamentos. Não é vergonhoso, é inteligente. Afinal, o que se espera é que, como indivíduos, cresçamos.

Adnelson Borges de Campos
Últimos posts por Adnelson Borges de Campos (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Educação Moral e Cívica
Exemplo de competência e objetividade
Reconstrução