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Volta às aulas 2017: os desafios da rede estadual

Foto: Arquivo/Gazeta Informativa

No dia 15 de fevereiro, os alunos da rede pública estadual de São Mateus do Sul voltam às aulas nas 11 instituições do município. O ano letivo de 2017 terá escolas contempladas com a verba de R$ 100 mil do programa Escola 1000 para realizarem obras de reformas e melhorias.

Em São Mateus do Sul, foram contempladas as seguintes instituições: Colégio Estadual do Campo Anselmo Follador, Colégio Estadual do Campo Eugênio de Almeida, Colégio Estadual Professora Orlanda Distéfani Santos, Colégio Estadual São Mateus, Colégio Estadual Duque de Caxias e Colégio Estadual Professora Zuleide Samways Portes. Com a verba já liberada na conta das escolas e a empresa já contratada, agora as instituições aguardam apenas o início das obras.

Impasse entre professores e governo

Se, por um lado, a expectativa é de melhorias estruturais, 2017 inicia com um impasse importante entre governo estadual e a classe dos professores. Uma das causas é a redução da hora-atividade, baseada na lei federal Nº 11.738 que prevê um terço da carga horária do professor em atividades fora da sala de aula. Até o ano passado, a cada 20h de trabalho, o professor cumpria 7h no colégio para atividades como correção de provas e trabalhos, preparação de aulas, atendimento a alunos e pais. Neste ano, o governo estadual alterou o critério para este cálculo, passando a considerar a hora/relógio (60min), não mais a hora/aula (50 min). Com isso, houve redução da hora atividade para 5h semanais.

“Isso afeta na sobrecarga do professor, que agora tem mais tempo com o aluno e menos tempo para preparar o material da aula. Para manter os mesmos rendimentos do ano passado, os professores vão ter que fazer essas atividades no horário dele, na casa dele ou em outro local”, explica a documentadora escolar Bernadete Volochen.

Como consequência, os professores efetivos tiveram que pegar mais aulas, o que alterou o modelo de distribuição. “Teremos pouquíssimos contratos de professores pelo Processo Seletivo Simplificado (PPS). Os professores que não são concursados vão ser prejudicados”, afirma Bernadete, embora ainda não seja possível prever quais disciplinas terão professores contratados pelo PSS. “É um início de ano diferente, mas dentro da normalidade”, avalia.

Já na visão da professora de história e representante da APP Sindicato em São Mateus do Sul, Patrícia Jonson, as mudanças adotadas pelo governo representam um corte de 7 mil contratos de professores em todo o estado. “É uma reação em cadeia. Temos muitos professores que são PSS e agora podem ficar desempregados”, destaca.

Assembleia geral

Esse será um dos temas abordados em Assembleia Geral da categoria, marcada para o dia 11 de fevereiro, em Maringá. A pauta extensa inclui o não pagamento da data-base, mudança dos critérios de classificação dos professores para as aulas extraordinárias, que prejudica professores que tiveram licença no último ano, cancelamento e redução dos projetos estaduais, entre outros.

Para Patrícia Jonson, devido às mudanças estabelecidas e a falta de diálogo do governo com a categoria, as reuniões realizadas nos núcleos sindicais nesta semana indicam uma possibilidade de greve, assunto que pode ser levado à votação na assembleia do dia 11. “A greve é extremamente desgastante. Este é um período em que nós, professores, precisamos de descanso para se preparar para o ano letivo, mas mais uma vez, o governo nos empurra para uma medida extrema”, pontua.

Duque de Caxias e São Mateus

Os dois principais colégios da área urbana de São Mateus do Sul se preparam para receber novamente o maior número de estudantes. O Colégio São Mateus este ano terá 1676 alunos, divididos entre ensino médio, técnico e fundamental (a partir do 6º ano), no Duque de Caxias são 979 estudantes.

Para a diretora do Colégio Estadual São Mateus, Telma Staniszewski, mesmo com todas as mudanças, os professores estão bem conscientes e animados para a volta às aulas. Um dos objetivos da equipe este ano é reduzir a evasão escolar, principalmente no Ensino Médio. “Queremos dar destaque à questão pedagógica nesta modalidade, oferecer aulas extras, contando com professores que atuam voluntariamente na sua hora-atividade com foco no Enem, para incentivar os alunos a permanecerem na escola”, destaca Telma.

Com relação à estrutura, o São Mateus teve melhorias durante as férias, com reformas de duas salas externas e troca da bancada do laboratório de Química. Agora, a escola aguarda o início das obras do Escola 1000 para fazer o fechamento da quadra e a troca das janelas do bloco 1, visando à melhoria da ventilação.

No Duque de Caxias, a verba de R$ 100 mil vai possibilitar a pintura interna e externa do colégio, melhorias no refeitório, além da reforma das paredes em duas salas de aula.

Outra notícia positiva é o reforço do programa de Patrulha Escolar, que foca em atividades de prevenção e policiamento nos arredores das escolas. Este ano mais dois policiais devem ser remanejados para esta finalidade, o que permite que a patrulha cubra os três turnos escolares. Segundo a diretora Telma, essa medida beneficia todas as instituições de ensino estaduais no município, com um trabalho preventivo que busca evitar que os jovens se tornem infratores.

“Nós estamos com expectativa boa para realizar reformas, contamos que seja um ano de bastante empenho por parte dos alunos, que eles terão bom aprendizado”, destaca a diretora do Duque de Caxias, Clemira Santana.

“Ficamos sempre na expectativa de que o ano letivo flua bem, que tanto professores e alunos estejam aplicados e num ambiente em que se sintam bem. A educação precisa ser um trabalho em conjunto, em que a família participe de forma efetiva da vida escolar dos filhos. Quando há essa integração, os resultados tendem a ser efetivos”, complementa Telma.

Larissa Drabeski

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