Jornal de São Mateus do Sul (PR) e região

Voltando para São Mateus do Sul depois de 67 anos

Maria Joana Dias, de 82 anos, não pisava em terras são-mateuenses há 67 anos. Viajando mais de 2.500 quilômetros, ela relembra momentos que passou no município. (Fotos: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Qual é a sua relação com São Mateus do Sul? E a de seus familiares? Na casa da família de Maria Joana Dias, o município era retratado com muito apreço, e fez parte da imaginação e curiosidade dos seis filhos, que escutaram desde muito cedo, a história da cidade com a vida de Maria.

“São Mateus do Sul é a minha casa, mesmo sem eu nunca ter morado aqui. Cresci escutando histórias dessa cidade. O rio Iguaçu era uma coisa que sempre esteve na minha cabeça”, destaca Marilza Aparecida Dias Ferreira, uma das filhas que acompanharam a mãe nessa importante viagem que ficará marcada para sempre na vida de toda a família.

Vamos conhecer um pouquinho a história de Maria Joana Dias, que nesta segunda-feira (2), voltou a São Mateus do Sul depois de 67 anos, e reforçou a memória do tempo que aqui vivia.

Hoje com 82 anos de idade, a energia vivaz e a memória afiada são características completamente visíveis para quem escuta cada detalhe e lembrança retratada por Maria dos tempos de criança.

Pertencendo a família do sobrenome Guerra, que estabilizou-se no município em 1890, na comunidade hoje nomeada de Faxinal dos Ilhéus, Maria Joana foi criada pela avó Benedita, uma mulher que lhe repassou toda educação, sabedoria e percepção para a vida. “Na época morávamos na comunidade de Colônia Taquaral. Minha avó era uma benzedeira que ajudava muitas pessoas”, comenta Maria Joana, que ainda lembra que aos 12 anos, sua avó contava que conheceu o próprio monge João Maria quando ele passou pelo município.

Antes de falecer, Benedita providenciou um casal para cuidar da neta. “Lembro que logo após o velório da minha avó, minha família adotiva me esperava”, diz. Depois desse momento, Maria e os novos familiares, foram embora para o município da Lapa. A jovem tinha apenas 9 anos.

Voltando para São Mateus do Sul aos 13 anos de idade, Maria Joana passou um dos mais importantes momentos da sua vida: ela era aluna interna do Colégio Imaculada Conceição, das Irmãs Vicentinas, onde hoje é o atual prédio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SEMEC) de São Mateus do Sul.

Segundo as filhas de Maria Joana, Marilza e Sirlene Machado Dias de Souza, esse era o local de visita mais esperado pela mãe depois desses 67 anos sem pisar em terras são-mateuenses. “Logo que entramos no prédio, nossa mãe passou a relembrar das histórias e de cada sala do prédio.”

Maria Joana conta-nos que no tempo em que ficou interna, foi responsável por muitos serviços dentro do Colégio, como cuidar da vaca que mantinha o leite para as alunas que ali residiam. “Lembro que eu tirava e ia buscar a vaca no pasto, até que um dia, senti meus pés molhados e percebi que o rio estava cheio e havia transbordado. Perdemos a nossa vaquinha pois ela foi até o rio”, comenta.

Um ponto que chamou a atenção é que Maria também era encarregada de tocar o sino da Igreja Matriz São Mateus, do tempo em que a estrutura da paróquia era de madeira. “Havia um sino para cada ocasião”, relembra. A são-mateuense conta que o sino era tocado todos os dias, e a modulação do som remetia a diversas situações. “Quando uma criança falecia, havia um sino específico. Quando era adulto, o som era diferente.” Ela também relembra dos toques que eram expressados na hora das celebrações da missa.

Com 15 anos, Maria foi embora para o norte do Paraná junto de seus familiares, e desde então, nunca mais havia voltado para São Mateus do Sul. Atualmente, ela reside em Sinop, no estado de Mato Grosso, e viajou mais de 2.500 quilômetros para relembrar da vida em sua terra natal. “Mudou muita coisa aqui, mas o Colégio das Irmãs continua o mesmo!”, encerra.

Muitas fotos e novas lembranças aqueceram o coração de Maria Joana e dos familiares que estavam longe. Eles recebiam de maneira momentânea todas as imagens e as visitas feitas por Maria Joana, suas duas filhas e o genro por São Mateus do Sul.

“Voltamos embora com a certeza de que realizamos esse sonho que estava há 67 anos na vida de nossa mãe. Planejamos voltar mais vezes com certeza!”, concluem as filhas.

CHARGE:

Cláudia Burdzinski

Cláudia Burdzinski

Estudante de Jornalismo que adora escrever e conhecer um pouco sobre a vida e a história de cada pessoa envolvida. Preza pela essência que é repassada na produção de cada matéria, valoriza os pequenos gestos e apoia o ativismo ambiental. E-mail para contato: claudia@gazetainformativa.com.br
Cláudia Burdzinski
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