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YO-HO, no Paraná tem Pirata sim!

Na imagem, Barba Negra, famoso pirata espanhol. Seu nome verdadeiro era Edward Teach, ele atuou na pirataria de 1716 a 1718.

Piratas são figuras românticas que povoam a história desde sempre. Habitam os romances literários, as produções cinematográficas e as lendas de ilhas e mares. Por conta disso, a figura do indivíduo subversivo, aventureiro, que navega contra o sistema das coroas marítimas em busca de saques para embolsar ouro, prata e todo tipo de riqueza com uma garrafa de bebida na mão cantarolando canções antigas, é vívida no imaginário popular. A palavra pirata quer dizer, ladrão, patife, canalha, por conseguinte, a palavra chave que os define é pilhar. Pirataria é uma profissão das mais antigas. Piratas eram indivíduos a margem da sociedade, geralmente bandidos que não conseguiam uma recolocação social, ou sujeitos extremamente pobres, que com o sonho de enriquecimento rápido, acabavam praticando um tipo de banditismo social. Porém, haviam os piratas corsários, um tipo de pirataria legalizada digamos assim. O corsário era um pirata contratado por uma coroa (espanhola, inglesa, francesa, holandesa por exemplo) para saquear navios de nações estrangeiras e ou inimigas na época em que ainda não havia um código marítimo muito claro entre elas. Porém, os próprios piratas possuíam o seu, o chamado Código de Bartolomeu, proposto pelo corsário português Bartolomeu, no século XVII. Nesse código de conduta, a principal regra era a de que todo pirata devia seguir o próprio código.

A Era de Ouro da Pirataria a que fiz referência, aconteceu entre 1650 e 1726. As principais regiões infestadas por esse fenômeno foram o Golfo do México, a ilha de São Salvador, Tortuga e Jamaica. Contudo, o fenômeno foi tão extenso que chegou aos mares paranaenses. Em 1718 o navio francês Le François atracou em Paranaguá carregado com prata que vinha do Chile e seguiria para a França. De repente, foi atacado por piratas franceses e ingleses que estavam dentro da sumaca Louise, uma embarcação de dois mastros, muito rápida com muitos canhões. Porém, devido a um temporal repentino, o navio pirata acabou naufragando com o impacto em uma rocha submersa. Após o episódio, houve várias tentativas de recuperar o tesouro do naufrágio. Em 1722, 1963 e 1985 repetiram-se diversas operações de resgate, vários colecionadores e algumas poucas instituições culturais têm a posse dos vestígios recuperados da embarcação pirata Louise. A partir daí o clima de insegurança causada pela entrada de navios piratas fez com que fossem feitas melhorias no sistema de defesa do litoral paranaense. Por exemplo, foram colocados canhões na Ilha das Peças e sentinelas na Ilha do Mel. E em 1766, foi iniciada a construção da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres. Conta-se que os piratas que sobreviveram ao naufrágio do navio Louise, esconderam seus tesouros na Ilha do Mel e na Ilha do Superagui, além disso, muitos firmaram residência por lá mesmo. O mais interessante, é que nesses locais, constam famílias descendentes de sobrenomes franceses e ingleses até hoje! Hoje fico por aqui, e até a próxima viagem pessoal!

Jéssica Kotrik Reis Franco
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